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	<title>Comentários em: Uma Jangada de Pedra a Caminho do Haiti &#8211; José Saramago</title>
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	<description>Tudo sobre Livros</description>
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		<title>Por: Carlos Eduardo da Cruz Luna</title>
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		<dc:creator>Carlos Eduardo da Cruz Luna</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 15:12:18 +0000</pubDate>
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		<description>OS ESFORÇOS PARA ACUDIR AO HAITI (MAIS UMAS INICIATIVA...)
    É um lugar comum. Os esforços para acudir às vítimas da tragédia do Haiti não serão
nunca demais. Morre-se em cada hora que passa. Cerca de 120 mil mortos, um grau de
destruição quase inimaginável, a agonia das estruturas
estatais/assistenciais/administrativas de um País. Pobre
situação a de um povo que começou a sua História lutando pela liberdade contra os donos
de escravos franceses no início do século XIX, que venceu essa prova, mas que tem
conhecido guerras internas, invasões e ocupações estrangeiras, além de desastres
naturais, ao longo de dois séculos... para já não falar das ditaduras que pouco dignos
filhos seus exerceram.
    É curioso ver como se unem esforços.
    Uma iniciativa em particular chama a atenção. O Nobel português, José Saramago , vai
promover uma edição especial de solidariedade do seu livro de 1986, &quot;Jangada de Pedra&quot;.
Citando agências noticiosas e a sua fundação, «a acção de solidariedade reverte a favor
das vítimas do sismo do Haiti e decorrerá
futuramente também em Espanha e na América Latina. O livro custa €15 e estará disponível
nas livrarias a partir de sexta-feira; e porque, segundo o próprio Saramago &quot;todos temos
uma obrigação&quot;, a campanha &quot;Uma Jangada
de Pedra a caminho do Haiti&quot; vai prolongar-se até 28 de Fevereiro de 2010.»
     Recorde-se que esta obra descreve um cenário imaginário, no qual uma espécie de
terramoto lento separa a Península Ibérica do resto da Europa, e a coloca à deriva, como
uma gigantesca ilha, no que é interpretado por alguns críticos como uma das primeiras
manifestações de iberismo deste escritor. A catástrofe imaginária terá levado o autor a
escolher este livro
para esta acção, em que se procurará acudir às carências resultantes de uma catástrofe
real.
     O livro é ainda hoje muito citado. Não parece crível que o autor, com este gesto,
esteja a sugerir que a Haiti se deva deixar governar por alguma potência externa e
vizinha, como por exemplo a República Dominicana, já que Saramago é um conhecido lutador
pela liberdade dos povos e pela direito à auto-determinação, como recentemente se viu em
relação ao Sahará ex-espanhol. Aliás, no livro, o Nobel não hesita em ironizar sobre as
esperanças espanholas sobre Gibraltar... que não acompanha a península na imaginária
ruptura geográfica... referindo mesmo que sobre este litígio o português é pouco
&quot;sensível&quot; ... já que «a sua mágoa histórica chama-se Olivença e este caminho não leva
lá.»(página 89)
     Receia-se, porém, que Saramago não seja bem compreendido nesta sua iniciativa, por
causa da escolha desta obra em concreto, e que poderá sujeitar-se a alguns comentários
algo cépticos.
     Penso que todas as iniciativas a favor do Haiti serão positivas, desde que eficazes
e desinteressadas. Esta não será excepção, mas penso que Saramago, e ele que me desculpe,
poderia ter escolhido outro texto. Valha-nos a qualidade literária!!!
    Estremoz, 27 de Janeiro de 2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>OS ESFORÇOS PARA ACUDIR AO HAITI (MAIS UMAS INICIATIVA&#8230;)<br />
    É um lugar comum. Os esforços para acudir às vítimas da tragédia do Haiti não serão<br />
nunca demais. Morre-se em cada hora que passa. Cerca de 120 mil mortos, um grau de<br />
destruição quase inimaginável, a agonia das estruturas<br />
estatais/assistenciais/administrativas de um País. Pobre<br />
situação a de um povo que começou a sua História lutando pela liberdade contra os donos<br />
de escravos franceses no início do século XIX, que venceu essa prova, mas que tem<br />
conhecido guerras internas, invasões e ocupações estrangeiras, além de desastres<br />
naturais, ao longo de dois séculos&#8230; para já não falar das ditaduras que pouco dignos<br />
filhos seus exerceram.<br />
    É curioso ver como se unem esforços.<br />
    Uma iniciativa em particular chama a atenção. O Nobel português, José Saramago , vai<br />
promover uma edição especial de solidariedade do seu livro de 1986, &#8220;Jangada de Pedra&#8221;.<br />
Citando agências noticiosas e a sua fundação, «a acção de solidariedade reverte a favor<br />
das vítimas do sismo do Haiti e decorrerá<br />
futuramente também em Espanha e na América Latina. O livro custa €15 e estará disponível<br />
nas livrarias a partir de sexta-feira; e porque, segundo o próprio Saramago &#8220;todos temos<br />
uma obrigação&#8221;, a campanha &#8220;Uma Jangada<br />
de Pedra a caminho do Haiti&#8221; vai prolongar-se até 28 de Fevereiro de 2010.»<br />
     Recorde-se que esta obra descreve um cenário imaginário, no qual uma espécie de<br />
terramoto lento separa a Península Ibérica do resto da Europa, e a coloca à deriva, como<br />
uma gigantesca ilha, no que é interpretado por alguns críticos como uma das primeiras<br />
manifestações de iberismo deste escritor. A catástrofe imaginária terá levado o autor a<br />
escolher este livro<br />
para esta acção, em que se procurará acudir às carências resultantes de uma catástrofe<br />
real.<br />
     O livro é ainda hoje muito citado. Não parece crível que o autor, com este gesto,<br />
esteja a sugerir que a Haiti se deva deixar governar por alguma potência externa e<br />
vizinha, como por exemplo a República Dominicana, já que Saramago é um conhecido lutador<br />
pela liberdade dos povos e pela direito à auto-determinação, como recentemente se viu em<br />
relação ao Sahará ex-espanhol. Aliás, no livro, o Nobel não hesita em ironizar sobre as<br />
esperanças espanholas sobre Gibraltar&#8230; que não acompanha a península na imaginária<br />
ruptura geográfica&#8230; referindo mesmo que sobre este litígio o português é pouco<br />
&#8220;sensível&#8221; &#8230; já que «a sua mágoa histórica chama-se Olivença e este caminho não leva<br />
lá.»(página 89)<br />
     Receia-se, porém, que Saramago não seja bem compreendido nesta sua iniciativa, por<br />
causa da escolha desta obra em concreto, e que poderá sujeitar-se a alguns comentários<br />
algo cépticos.<br />
     Penso que todas as iniciativas a favor do Haiti serão positivas, desde que eficazes<br />
e desinteressadas. Esta não será excepção, mas penso que Saramago, e ele que me desculpe,<br />
poderia ter escolhido outro texto. Valha-nos a qualidade literária!!!<br />
    Estremoz, 27 de Janeiro de 2010<br />
Carlos Eduardo da Cruz Luna</p>
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